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A fonte do Paradiso
Por: Sérgio Augusto
Em: 15/05/2004
Dia desses, ao lado da Flor do Mar, revi “Cinema Paradiso” e constatei que o encanto exercido pelo filme é ainda maior que há 19 anos, quando o vi pela primeira vez no cinema. A seguir, reproduzo um texto que escrevi há quase cinco anos, falando sobre a bela obra de Tornatore. Um grande abraço e Feliz Natal e Ano Novo a todos.
O cineasta italiano Salvatore di Vitto tem quase 50 anos quando assiste as imagens dos pedaços de filmes que Alfredo, o falecido projecionista do cinema, do vilarejo de Giancaldo, era obrigado a cortar da projeção final a pedido do padre local.
As cenas simbolizam a infância (através do cinema mudo), a adolescência (na estampa de Rita Hayworth) e a maturidade (o beijo entre Humphrey Bogart e Ingrid Bergman). Algumas seqüências projetadas no "Cinema Paradiso".
Em uma delas, o diretor Giusepe Tornatore coloca "Toto" di Vitto, aos sete anos, assistindo um filme projetado na fachada de um casarão do vilarejo. O menino está ao lado de um chafariz, fonte de um mundo fantástico, separado da realidade por uma parede de sonhos.
O olhar do personagem, e também do espectador, se modifica à medida que os minutos passam. Já adolescente, Salvatore se apaixona por uma moça, mas o amor não é recíproco. Ele, então, espera a janela do coração de Elena abrir-se para a vida...
Com o passar dos meses, a fresta da janela aumenta. Até que na noite de reveillon ela dá a entender que vai aceitar "Toto" como namorado. Faltam cinco segundos para o ano velho acabar. Mas, o medo adolescente tranca a janela para a beleza dos fogos de artifícios...
O rapaz entra em uma rua vazia, e os fogos queimam o horizonte. Pratos são lançados das janelas – como pedido de boa sorte italiana. Os cacos de pratos são Salvatore, em pedaços pela negativa da moça. Os fogos traduzem toda fúria e ânsia de viver, que a idade de ambos vivencia.
Não há muito futuro na cidade. O rapaz voltou do exército e conversa numa praia com o velho Alfredo, que o aconselha: "vá embora daqui, e não olhe para trás". Os dois estão sentados cercados por âncoras fincadas na areia, simbolizando as amarras, que "Toto" irá arrancar ao longo de sua vida. E caso não siga o conselho de Alfredo, Salvatore poderá fazer companhia àquele cemitério de aço enferrujado.
Já adulto, Salvatore entra no trem rumo ao seu destino. Na despedida, acena para a mãe, a irmã, Alfredo e um menino sentado no chão da estação rodoviária. É a própria infância, deixada naquela cidade.
Um telefonema da mãe o faz voltar: Alfredo está morto. O Cinema Paradiso está fechado e será demolido. E junto irão as melhores emoções da população.
O antigo proprietário resume: "A televisão e o videocassete tornaram inviável o cinema, que agora é um sonho, apenas...".
Em 120 minutos, Giusepe Tornatore declarou em imagens e metáforas, seu amor pela Sétima Arte. E por último desejo do velho Alfredo, finalmente, o menino ressurgido em Salvatore pôde assistir as cenas proibidas durante sua infância, na cabine do "Cinema Paradiso". "Fine".
24/12/2008 Publicada por Boleiro da Sétima Arte
Por: Sérgio Augusto
Em: 15/05/2004
Dia desses, ao lado da Flor do Mar, revi “Cinema Paradiso” e constatei que o encanto exercido pelo filme é ainda maior que há 19 anos, quando o vi pela primeira vez no cinema. A seguir, reproduzo um texto que escrevi há quase cinco anos, falando sobre a bela obra de Tornatore. Um grande abraço e Feliz Natal e Ano Novo a todos.
O cineasta italiano Salvatore di Vitto tem quase 50 anos quando assiste as imagens dos pedaços de filmes que Alfredo, o falecido projecionista do cinema, do vilarejo de Giancaldo, era obrigado a cortar da projeção final a pedido do padre local.
As cenas simbolizam a infância (através do cinema mudo), a adolescência (na estampa de Rita Hayworth) e a maturidade (o beijo entre Humphrey Bogart e Ingrid Bergman). Algumas seqüências projetadas no "Cinema Paradiso".
Em uma delas, o diretor Giusepe Tornatore coloca "Toto" di Vitto, aos sete anos, assistindo um filme projetado na fachada de um casarão do vilarejo. O menino está ao lado de um chafariz, fonte de um mundo fantástico, separado da realidade por uma parede de sonhos.
O olhar do personagem, e também do espectador, se modifica à medida que os minutos passam. Já adolescente, Salvatore se apaixona por uma moça, mas o amor não é recíproco. Ele, então, espera a janela do coração de Elena abrir-se para a vida...
Com o passar dos meses, a fresta da janela aumenta. Até que na noite de reveillon ela dá a entender que vai aceitar "Toto" como namorado. Faltam cinco segundos para o ano velho acabar. Mas, o medo adolescente tranca a janela para a beleza dos fogos de artifícios...
O rapaz entra em uma rua vazia, e os fogos queimam o horizonte. Pratos são lançados das janelas – como pedido de boa sorte italiana. Os cacos de pratos são Salvatore, em pedaços pela negativa da moça. Os fogos traduzem toda fúria e ânsia de viver, que a idade de ambos vivencia.
Não há muito futuro na cidade. O rapaz voltou do exército e conversa numa praia com o velho Alfredo, que o aconselha: "vá embora daqui, e não olhe para trás". Os dois estão sentados cercados por âncoras fincadas na areia, simbolizando as amarras, que "Toto" irá arrancar ao longo de sua vida. E caso não siga o conselho de Alfredo, Salvatore poderá fazer companhia àquele cemitério de aço enferrujado.
Já adulto, Salvatore entra no trem rumo ao seu destino. Na despedida, acena para a mãe, a irmã, Alfredo e um menino sentado no chão da estação rodoviária. É a própria infância, deixada naquela cidade.
Um telefonema da mãe o faz voltar: Alfredo está morto. O Cinema Paradiso está fechado e será demolido. E junto irão as melhores emoções da população.
O antigo proprietário resume: "A televisão e o videocassete tornaram inviável o cinema, que agora é um sonho, apenas...".
Em 120 minutos, Giusepe Tornatore declarou em imagens e metáforas, seu amor pela Sétima Arte. E por último desejo do velho Alfredo, finalmente, o menino ressurgido em Salvatore pôde assistir as cenas proibidas durante sua infância, na cabine do "Cinema Paradiso". "Fine".
24/12/2008 Publicada por Boleiro da Sétima Arte
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É um filme marcante e emocionante. Não me canso de ver, assim como Splendore! Abração amigo e FELIZ 2009
Lindo filme, com certeza...daqueles que dificilmente encontramos no mundo do cinema! Feliz 2009 meu amigo,tudo de bom para você! Excelente filme, e toda vez que o vejo fico com os marejados de lágrimas, pois minha infância toda e um pouco a adolescência, foi o cinema. Abraços e sucesso.
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